PRESENTE AOS LEITORES
Faz muito tempo que digitalizamos esta obra do João Gumes, Patrono da Cadeira 2 na Academia Caetiteense de Letras - e em domínio público.
"Os Analphabetos" foi publicado em 1928, já perto de sua morte (1930), em um volume; na época em que fizemos este trabalho ocupávamos a gerência de cultura da cidade - e a velocidade da internet e capacidade dos computadores me forçaram a criar 2 arquivos... Algo que hoje soa até meio estranho!
Embora tenhamos conservado o "ph" no título, o português foi atualizado; não é aquilo que chamamos de "leitura fácil", pois que fora algo escrito para ser publicado "aos pedaços", nas edições do jornal A Penna.
Seguem os links:
PARTE 1
PARTE 2
Boa leitura, então.
sábado, 17 de dezembro de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Caetité se enche de livros

No mês de julho de 2011 encerramos um semestre sui generis em nossa história; nada menos que quatro livros nos chegaram, falando da terra ou de sua gente, de memórias e biografias...
Inicialmente tivemos o livro autobiográfico do professor Waldir Silvão, filho do também professor Alfredo, nome que transformou a história caetiteense, ele que dirigiu a Escola Normal e foi nosso prefeito nos idos de 1946... A obra, um belo volume, mostra o cuidado que Silvão teve ao longo da vida em manter sua trajetória no magistério devidamente registrada e não só: relata as amizades e manifestações de apreço, como as poesias da caetiteense Aída Ladeia, e de alunos e colegas que semeou ao longo de sua carreira em diversas cidades da Bahia.
Na Sessão Ordinária da Academia Caetiteense do mês de maio de 2011 a obra foi então apresentada e um fato curioso se deu: estavam ali dois de seus ex-alunos: a professora Sônia Silveira, que com ele estudou em Caetité, no Instituto de Educação Anísio Teixeira e Benedicto Antônio dos Santos, seu ex-aluno em Santo Amaro da Purificação... Ambos confirmavam, nos relatos, a severidade e seriedade do antigo mestre, cuja saudade era então amenizada pelo imorredouro registro em um livro...
Dia 14 de julho foi a nossa vez de trazer o livro Anísio para Caetité. Deste já tivemos ocasião de falar disto, pois era mesmo nosso papel não deixar diminuir, na terra natal, o conhecimento sobre o grande educador; ali registramos suas passagens biográficas em Caetité, e tudo aquilo que fez pela cidade. Anísio não precisava, de fato, que alguém tão ínfimo dele cuidasse – mas muitos têm agora uma obra básica a nortear futuras pesquisas e aprofundamentos. Porque nenhum lugar melhor para se retratar o imortal educador, senão num livro...
Finalmente, em 23 de julho, dois novos volumes foram aqui lançados: a biografia política do caetiteense Paulo Jackson, e o registro dos “causos” engraçados da cidade, sob a batuta do Etinho...
No primeiro livro, lançado na Casa Anísio Teixeira, o leitor terá conhecimento do trabalho e carreira política de Paulo Jackson, na pena da Joandina Carvalho. Paulo, com quem tivemos ocasião de partilhar várias lutas, foi mesmo uma figura ímpar – e cuja morte prematura fez com que nossa história citadina se diminuísse de forma bastante drástica... Um escrito sobre ele é, portanto, só um pequeno passo para ilustrar o quanto viveu, pois foi de fato uma vida que merece a imortalidade que dão os livros...
O segundo livro lançado naquela memorável noite – Pérolas do Humor Caetiteense – do Etevaldo Nônico, reuniu uma Caetité que somente aqueles que a vivem de fato conhecem e, por que não, reconhecem: a dos “causos”; nossas mais significativas figuras saem do anonimato e ganham a perenidade, agora jamais serão esquecidas e, por isso, é motivo de orgulho termos podido colaborar minimamente com o Etinho...
Ali, o Américo Oliveira, que foi peça chave na concretização da obra, frisou o imenso orgulho de ser natural de uma cidade que, como poucas, assistia a tanta produção literária – e resumiu o sentimento de todos. Falamos em nome da Academia, então, frisando que já estava na hora de Etinho vir a compor nossos quadros acadêmicos... É uma ideia, apenas, mas também uma esperança de que este tenha sido o primeiro de outros tantos volumes que, com certeza, nossa cidade permite sejam produzidos, com sua cultura tão rica e, agora, parte dela gravada para sempre nas páginas de mais um livro...
Estes foram os quatro livros que surgiram, em menos de meio ano. E já se promete para setembro mais um, desta feita pelo Giovanni Silveira. Pois é... Caetité realmente assiste a um momento ímpar! Perdemos o medo dos livros? Esperamos que sim... Ainda estamos longe dos tempos em que a cidade respirava cultura, ainda vemos jovens sem nada na cabeça a iludir-se com músicas nas alturas, exibindo suas baixezas... Ainda temos muito a trilhar para que isto de fato venha a ser realidade cotidiana, em que o caetiteense sem leitura se envergonhe de sê-lo! Mas, numa coisa todos podemos nos orgulhar: temos aquilo que faz um povo como o nosso ser, de fato, diferente, único: temos livros!
Caetité, julho de 2011.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
O Advogado e os Livros
“Que nenhum tirano
Pregue o povo na cruz!
E que nenhum insano
Ao crime faça jus!”
José Almiro Gomes (in: “Natal de Jesus”, Coaraci, Natal de 1982)
Meu tio José se foi, no dia 8 de junho de 2011. “José, meu irmão mais velho” – como sempre falava minha mãezinha, quando a ele se referia. E quando ela morreu, em 2005, foi a última vez que nos falamos.
No ano de 1984 passei com ele alguns dos momentos mais agradáveis de minha vida – ao lado daqueles que hoje me são os companheiros: os livros.
Poucos falavam tanto, e raros tinham tanto ainda por falar! Graças a ele publiquei minha primeira poesia, e ouvi muitos poemas; conheci Neruda, fui apresentado a Lorca, descobri os plágios de Jorge Amado, e me admirava em ver a intensa religiosidade daquele homem que, preso na juventude por ser comunista, convertera-se ardorosamente a uma fé que contagiava.
Tio José, contudo, só teve uma rápida presença em meus tempos de faculdade – encontrei-o num Congresso de Direito, dos muitos que fui naquele tempo, na banca de um livreiro a comprar livros.
Livros! Quantos livros!
***
Anos depois, já formado, encontrei certa feita o Confrade Romilton Sobrinho, que me antecedeu na Presidência da Academia, junto a um vendedor de obras jurídicas, daqueles vagamundos. Em Caetité nenhuma biblioteca se iguala à dele, e a mim cabia ser expectador daquela negociação. O vendedor elogiava o acervo do colega, mas em dado momento comenta que, apesar de Romilton ser uma traça, havia na Bahia um advogado que nenhum desembargador possuía cabedal maior. E foi falando, falando, até que eu consegui soltar um “Eu sei, é muito livro mesmo”. Os dois pararam, me olhando, surpresos – eu que até então estivera meio alheio diante daquela troca de informações entre ambos... O livreiro me desafiou: não poderia conhecer, pois tal advogado morava numa pequena cidade, a centenas de quilômetros de Caetité! Então perguntei-lhe: “Ele não mora numa casa com um andar que é todo a biblioteca?” – foi o bastante para o homem arregalar os olhos, admirado, pois eu acertara. Como sabia aquilo? “Ele é meu tio”, expliquei...
***

Tio José fora bem novo para Coaraci, então uma jovem cidade que se erguia sobre o ouro que foi a exploração do cacau no Sul da Bahia. Apesar de lugar violento, “terra de jagunços” diriam, construiu uma sólida carreira advocatícia, foi maçom, enfrentou as agruras desta profissão ingrata dos embates jurídicos... Foi ameaçado de morte por um juiz venal que ele, cioso do Direito, confrontara os desmandos e afastara...
Apesar de ser o “irmão mais velho” da minha mãe, o tio José tinha sua filha mais velha, Rosemarie, com a minha idade – sendo eu o caçula da Marion. Seguia-se a Marta Simone, afilhada de meus pais. Vinha então o outrora franzino Franklin José, que seguiu com brilhantismo a carreira paterna; Lílian Maria (com quem aprendi a chamar “paciência” de “titienca”) era a caçula até a chegada da quarta menina, que recebeu o nome da mãe – Edileusa.
O vasto mundo que viveu o tio José foi também um mundo de transformações profundas – uma geração que assistira a dolorosa e prematura morte da mãe porque inda não havia entre nós a penicilina – e mergulhou afinal pelo século XXI das aventuras tecnológicas, é algo que apenas os pósteros poderão um dia palidamente compreender, com aquele olhar da distância.
Não é o olhar que agora tenho... É sim o olhar de tristeza e dor da proximidade, algo que mesmo a distância imposta pela vida é incapaz de calar – porque é a dor do sangue, do parente que se vai.

O homem dos livros, dos sonetos que guardo até hoje – apesar de já ter destruído os meus próprios versos canhestros – revive na imagem da fotografia que volta e meia reencontro e que ele me pediu para tirar, eu com aquela máquina infantil, a registrar algo que ainda amo em Caetité – um carro de bois.
Um carro de bois é anacrônico, marca de um tempo passado que resiste emitindo seu lânguido rangido. Meu tio José, o “irmão mais velho”, foi ele também anacrônico: um homem que amava os livros, num país que não os lê...
Que Deus o receba, como no dia que me chamará também, talvez como um dia brincava comigo meu tio José Almiro: “André Luiz, André Ruiz, André Juiz”... Para que eu finalmente entenda, meu tio, que “juiz” serei de mim mesmo.
Porque agora, com vossa perda, meu único juízo é o de que a Advocacia baiana, com “A” maiúsculo, perdeu um de seus maiores nomes.
Caetité, 9 de junho de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
Adeus a Omar
Mais um vazio em Caetité
Quando eu estava no pré-primário, na Escola de Aplicação Anexa ao Instituto Anísio Teixeira, minha sala ficava ao fim do corredor. Do outro lado ficava a sala do segundo ano primário, era onde Omar estudava. Acho que esta é a minha mais antiga lembrança desse amigo que, desde aquela época, já era um pequeno “playboy”, ou “bad boy” – à falta de termos melhores em nosso idioma para definir aquilo que o menino já mostrava ser...

Consegui uma fotografia daquela época, onde ele aparece, criança, com aquele cabelão “jovem guarda” dos anos 1970; foi um achado, e não pude deixar de lhe falar, quando o encontrei pouco tempo depois - e combinarmos em breve repassar-lhe a cópia... Mas isto nunca aconteceu, ela veio parar aqui nesta despedida...
Cresci numa Caetité em que Omar era sinônimo de boa vida, onde encontrá-lo era o mesmo que ver belas companhias; mesmo quando ambos moramos em Salvador, começo da adolescência, encontrávamos no apartamento do Rívoli onde Opalah reunia a “galera de Caetité”: ele sempre aparecia, acompanhado do então amigo inseparável Paulo César...
São muitos os casos, as lembranças; nunca brigamos – o que deve ser digno de nota! Éramos todos briguentos, na juventude! Fazia parte... Mas eu e ele nunca! E mesmo para aqueles com quem brigava, logo estava arrependido, tentando se desculpar (bem diferente de mim). Na minha juventude, quando eu achava que estava isolado, ou até que ele nem se lembrava de mim, privamos de vários momentos de bom bate-papo – algo não muito comum, numa época em que um ou dois anos de diferença na idade eram quase um abismo a separar as turmas.
Lembro-me que uma vez Omar abriu um boteco, que logo fechou; fechou bem rápido! Um dia perguntei onde ficava e ele contou-me que já não existia mais, queixando-se dos “maus pagadores”... Eu sorri e comentei: o problema é que vendia fiado aos amigos – e os amigos eram muitos!
Omar formou-se em Direito no ano de 2001, em Poços de Caldas, e voltou a Caetité. Não sei se era sua “praia”, é uma praia árdua, ingrata, as lides jurídicas... Um dia ele me propôs abrirmos um escritório juntos. Queixava-se de ficar sozinho na casa, e falou-me de suas andanças solitárias de moto, da vez em que pedira a Deus um sinal – e este lhe respondera...
Senti-lhe esse vazio que o tempo cria. Tentei enxergar aquele cara que todos invejávamos, anos atrás. Mas já tudo estava diferente de todo o antes. Lá pelas tantas eu lhe pedi para não contar aquelas coisas pra qualquer um, pois a maioria das pessoas não as compreendia...
O lado místico, verdadeiro, da vida, nos chama sempre. Para Omar, a perda da mãe amada foi este chamado – talvez como o foi para mim a perda da minha mãezinha. Aquelas horas que passamos, conversando, me soaram um tanto confusas –as coisas andam assim... Por fim, brinquei, como o pai dele fizera comigo, outro dia: vão dizer que aderimos politicamente, se o virem aqui em casa! Ele riu, e respondeu sério: “Que se dane o que vão dizer!”

Gostava de contar os filmes que vira. Uma vez, no fórum, narrou-me quase toda uma comédia – que depois assisti, lembrando de como aquelas cenas divertiram-no...
Hoje, dia em que deveríamos começar uma semana, meu peito está esfacelado... Uma dor de quem pensa que poderia ter feito mais pelo amigo, estado mais perto, ter rido mais da brincadeira que ainda ontem ele me fizera, dizendo que eu lhe tirara das mãos um cravo que fora lançado por um jovem noivo...
Mas sei que não tirei-lhe o cravo da mão, ontem. Ele apenas nos divertia, como sempre o fez. Omar sempre nos divertiu, sempre... Mas não agora! Sua perda longe está de ser algo assim – e a imagem que fica é de que nossa cidade, que cresce como nunca, acaba mais uma vez ficando menor!
15 de maio de 2011, dia em que tiramos a foto mais abaixo, perdemos o amigo e colega Omar Montenegro Cerqueira de Oliveira.
Quando eu estava no pré-primário, na Escola de Aplicação Anexa ao Instituto Anísio Teixeira, minha sala ficava ao fim do corredor. Do outro lado ficava a sala do segundo ano primário, era onde Omar estudava. Acho que esta é a minha mais antiga lembrança desse amigo que, desde aquela época, já era um pequeno “playboy”, ou “bad boy” – à falta de termos melhores em nosso idioma para definir aquilo que o menino já mostrava ser...

Consegui uma fotografia daquela época, onde ele aparece, criança, com aquele cabelão “jovem guarda” dos anos 1970; foi um achado, e não pude deixar de lhe falar, quando o encontrei pouco tempo depois - e combinarmos em breve repassar-lhe a cópia... Mas isto nunca aconteceu, ela veio parar aqui nesta despedida...
Cresci numa Caetité em que Omar era sinônimo de boa vida, onde encontrá-lo era o mesmo que ver belas companhias; mesmo quando ambos moramos em Salvador, começo da adolescência, encontrávamos no apartamento do Rívoli onde Opalah reunia a “galera de Caetité”: ele sempre aparecia, acompanhado do então amigo inseparável Paulo César...
São muitos os casos, as lembranças; nunca brigamos – o que deve ser digno de nota! Éramos todos briguentos, na juventude! Fazia parte... Mas eu e ele nunca! E mesmo para aqueles com quem brigava, logo estava arrependido, tentando se desculpar (bem diferente de mim). Na minha juventude, quando eu achava que estava isolado, ou até que ele nem se lembrava de mim, privamos de vários momentos de bom bate-papo – algo não muito comum, numa época em que um ou dois anos de diferença na idade eram quase um abismo a separar as turmas.
Lembro-me que uma vez Omar abriu um boteco, que logo fechou; fechou bem rápido! Um dia perguntei onde ficava e ele contou-me que já não existia mais, queixando-se dos “maus pagadores”... Eu sorri e comentei: o problema é que vendia fiado aos amigos – e os amigos eram muitos!
Omar formou-se em Direito no ano de 2001, em Poços de Caldas, e voltou a Caetité. Não sei se era sua “praia”, é uma praia árdua, ingrata, as lides jurídicas... Um dia ele me propôs abrirmos um escritório juntos. Queixava-se de ficar sozinho na casa, e falou-me de suas andanças solitárias de moto, da vez em que pedira a Deus um sinal – e este lhe respondera...
Senti-lhe esse vazio que o tempo cria. Tentei enxergar aquele cara que todos invejávamos, anos atrás. Mas já tudo estava diferente de todo o antes. Lá pelas tantas eu lhe pedi para não contar aquelas coisas pra qualquer um, pois a maioria das pessoas não as compreendia...
O lado místico, verdadeiro, da vida, nos chama sempre. Para Omar, a perda da mãe amada foi este chamado – talvez como o foi para mim a perda da minha mãezinha. Aquelas horas que passamos, conversando, me soaram um tanto confusas –as coisas andam assim... Por fim, brinquei, como o pai dele fizera comigo, outro dia: vão dizer que aderimos politicamente, se o virem aqui em casa! Ele riu, e respondeu sério: “Que se dane o que vão dizer!”

Gostava de contar os filmes que vira. Uma vez, no fórum, narrou-me quase toda uma comédia – que depois assisti, lembrando de como aquelas cenas divertiram-no...
Hoje, dia em que deveríamos começar uma semana, meu peito está esfacelado... Uma dor de quem pensa que poderia ter feito mais pelo amigo, estado mais perto, ter rido mais da brincadeira que ainda ontem ele me fizera, dizendo que eu lhe tirara das mãos um cravo que fora lançado por um jovem noivo...
Mas sei que não tirei-lhe o cravo da mão, ontem. Ele apenas nos divertia, como sempre o fez. Omar sempre nos divertiu, sempre... Mas não agora! Sua perda longe está de ser algo assim – e a imagem que fica é de que nossa cidade, que cresce como nunca, acaba mais uma vez ficando menor!
Caetité, 16 de maio de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Ao jovem médico

(cartinha que mandei ao dr. Leone Koehne Ribeiro, por ocasião de sua formatura...)
Olhando para si mesmo, qualquer um pode imaginar o quão difícil e complexo é este mecanismo que todos os dias acorda e diz: estou vivo!
Que se levanta, move-se, pensa, age, reage, interage...
Milhões de anos fizeram cada corpo, evoluindo desde a molécula que se agregou uma à outra, e mais outra, formando então uma primeira célula, carregando em seu núcleo a carga comum do DNA, que lutaria assexuada ou sexuadamente para perpetuar-se, unindo-se a outras tantas, formando seres cada vez mais e mais complexos...
E estes seres, todos, trazem em si as ligações para a saúde, a doença, a vida e a morte...
Mas o corpo nem sempre é a tônica...
Algo, de fato, não se encontra – desde o mais primitivo dos seres – palpável. Algo que a ciência não se apercebe e, portanto, não lida. É este algo que fez, um dia, um grego procurar sistematizar a arte de Esculápio, pois que temerosa tarefa havia de ter um norte.
Jurou Esculápio aos deuses, que não mais acreditamos, e como ele juraram todos desde então. Quem é que ouve tais palavras? Quem de fato as sente? Quantos, efetivamente, as vivenciam na correria que então se inicia?
As palavras, que parecem envelhecidas, encontram novos significados: quantos são os que fato entrarão “em toda casa”? E encontrarão nos irmãos escravizados pelos vícios mais atrozes o paralelo daqueles que mereceram de Hipócrates aquilo que falou de "igualdade" aos que são “livres”?
Encontraremos, nos mais afastados nosocômios, aquilo que a ciência, sempre ciosa da matéria, parece rir-se tal quando jurou a Panaceia? Onde estão “todos os deuses” a quem juraram?
Todos nós, e os médicos sobretudo, possuímos em nosso imo esses “deuses” que os Antigos falavam, cada um com o seu próprio "deus"...
No mito, Asclépio poupara de Hades uma vida e este exigiu-lhe a morte; foi a passagem onde Zeus o tornou uma verdadeira divindade. Mas, não teria já o médico o “dom divino” de antes? E, sabendo que deveria ensinar – assim jurou o primeiro médico – a todos o que sabia, conforme sabia, se não tinham todos esse mesmo “dom”?
Se fôssemos todos iguais, todos os médicos também o seriam. Mesmo entre os antepassados da família do jovem médico há o que fundou a primeira maternidade-escola do Brasil, e o que enveredou para a política, sem contudo curar... Há o que lutou pelo efêmero status e logo foi esquecido – e aquele que se transformou, mesmo que ideologicamente materialista, em verdadeiro sacerdote e professor, lutando por valores que a sociedade ainda desconhece, contra a desigualdade e a pobreza...
Não somos iguais – não em compreensão, em saber e, sobretudo, evolução. Mas somos essencialmente idênticos diante da Medicina: a dor, o sofrimento, a morte... ricos ou pobres, velhos ou jovens... também somos iguais quando olhamos para o “lado invisível” – para os “deuses” que em nós habita – e cujo destino é comum...
E na alegoria do panteão há, no plano invisível, uma vasta hierarquia, onde do mais Alto – do Olimpo mesmo – podemos sempre haurir a sabedoria: para o momento urgente em que a artéria cortada espirra o líquido vital, para o fim do dia do plantão cansativo, para o fim de semana onde o inesperado chama...
A Ciência ainda não tem todas as respostas. Pensou que as tinha, e descobriu-se enganada – e muitos ainda se fazem vítimas deste engodo... Contudo, desde que o mundo é mundo, os sábios contam-nos, com as metáforas cabíveis a cada era, onde encontrá-las.
Os “deuses” ainda existem, nos amparam, nos guiam, nos falam ao pensamento... Mesmo quando neles afirmamos não crer. Mesmo quando todos fingem seguir ignorando-os. Ou quando, não os encontrando na matéria inerte e não-animada, afirmam ser inexistentes...
Que o meu sobrinho Leone, tendo jurado como Hipócrates, tenha a luz da sabedoria a guiá-lo em todos os seus passos; que os seus pacientes recebam-lhe, sempre, o lenitivo desta luz; pois ele, sim, há de ter jurado de verdade.
Tudo de bom, Leo.
Caetité, janeiro de 2011.
Indireto no assunto – José Nêumanne e mais uma lorota

Na sua “coluna” torta, com aquele “sotaque” que procura imitar o já asqueroso e apodrecido Paulo Francis, o comentarista do Jornal do SBT – que não tenho ideia de onde saiu antes de ali aparecer falando de tudo e sobretudo, mais uma vez nos coloca diante de sua insofismável opinião plena de sofismas...
Diz lá o Nêumanne que é um "oportunismo dos políticos" armar um plebiscito pelo desarmamento, depois que um maluco atacou uma escola. Ele foi mais adiante: afirmou que as armas dos bandidos – e também a do maluco – são todas ilegais, que os cidadãos que tem lá suas armas “legais” não matam assim.
Paremos por aqui, pois a mentira do José Nêumanne Pinóquio começou e terminou ali mesmo. Com direito a pernas curtas e rabo comprido, claro.
Primeiro, o maluco da escola do Rio usou duas armas. Uma, de calibre 32, e outra, de calibre 38. Comecemos pela arma menor.
Era um revólver que fora roubado em 1994; era uma arma devidamente legalizada, cujo dono era um dos supostos cidadãos que têm o direito a se armar para a suposta autodefesa que o suposto comentarista do SBT simplesmente se esqueceu de dizer...
O malandro comentarista – sabe Deus sob quais interesses – veio a público, numa rede pública de televisão (pois que é concessão pública ter uma rede de televisão) para, mentindo deslavadamente, enganar seus ouvintes.
Mas ele poderia ter falado mais sobre a outra arma. É, aquela de calibre maior, mais letal, a que efetivamente ceifou as vidas das crianças brasileiras (pois que havia uma baiana, junto aos cariocas) e vitimou-nos a todos em nossos corações na Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro carioca de Realengo...
Calibre 38, José Pinóquio, lembra? A que tinha sua numeração raspada. Como bom “comentarista”, ele deve saber para que os bandidos raspam as numerações das armas... Não, ele não é bom em comentar, então certamente não sabe – ou se sabe, resolveu omitir.
Os bandidos raspam os números individuais das armas para que elas não sejam identificadas. Para que ninguém, as encontrando, saiba de onde saíram. Via de regra, foram armas compradas legalmente – até mesmo pelas polícias – e por seus donos (ou portadores responsáveis) vendidas ao crime e, forjando um roubo – da própria arma – esquivam-se de seu destino...
Esta última é a que mais dói: é a prova de que teve uma origem “honesta”, mas que desde essa origem seu destino final era apenas um: matar, matar gente inocente.
Vamos a mais um plebiscito contra as armas. Para os que não se lembram do último em 2005, a indústria armamentista – a que lucra milhões com os tiros disparados diuturnamente pelos bandidos contra as vítimas brasileiras – custeou até mesmo uma matéria de capa na revista Vendid... digo Veja... Gastaram rios de dinheiro com belas propagandas, as melhores até então já feitas, para convencer o povo brasileiro de que as armas são coisas “legais” – como disse um dia um comentarista de araque...
Mas, a realidade cruel que assistimos das mortes e mutilações, cada vez mais brutais alimentadas pelo crack e seus zumbis sem alma, é que o lucro miliardário das fábricas de armas e de munições se faz, sim, sobre as vidas perdidas de brasileiros honestos – os mesmos que estes falaciosos comentários querem fazer acreditar tenham o “direito de defesa”.
O cidadão não deveria precisar se defender. Para isto, tem-se a polícia. Ou os seguranças privados, treinados (deveriam sê-lo, claro) para nossa proteção.
Claro que esta minha fala é ofensiva ao Nêumanne: mas ele veio a público mentir, como eu disse – e mentir com algo que está custando muito, muito caro ao povo brasileiro – que ainda acredita em mentiras como as dele.
Se, ao contrário do que querem esses defensores da morte, houver um plebiscito, tenho a esperança de que o povo possa desmascarar de vez esses pinóquios e seus enganosos argumentos. E comecemos a, pela primeira vez, de fato agir concretamente em defesa da vida, de um país em que o crime seja de fato combatido, e os interesses econômicos se dobrem aos valores maiores – a vida em primeiro lugar – de uma vez por todas.
Ainda haverá crimes; as fábricas de armas ganharão menos, mas ainda faturarão muito além do que merecem; os comentaristas de araque continuarão a receber jabás de outros interesses escusos para mentir. Não haverá muita melhoria, nisto. Mas uma coisa, ao menos, é certa: haverá muito menos armas “legais roubadas”, muito menos pistolas de “numeração raspada”, e malucos terão muito, mas muito mesmo, mais dificuldades de consegui-las para entrar numa escola e matar nossas crianças.
Brasil sem armas: este não é apenas um sonho – podemos torná-lo realidade. Apesar dos Pinóquios.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Bicentenária Caetité

Bicentenária Caetité – Terra Mãe do Sudoeste da Bahia é o título do documentário iconográfico sobre os dois séculos de emancipada da cidade de Caetité.
Fruto do trabalho de pesquisa e coleção de imagens dos irmãos Adalfo e Adailton Carvalho (leia-se: Fotus K) que, com o apoio institucional da INB, foi lançado oficialmente no dia 7 de abril de 2011.
O evento simples mas solene, teve lugar no auditório da Casa Anísio Teixeira. Presentes o Prefeito e a Vice-Prefeita, o Gerente da Unidade de Caetité, dr. Hilton Mantovani que, como muitos caetiteenses de eleição – aqueles que elegeram nossa terra por morada – revelou seu amor pela cidade e a satisfação por fazer parte desse projeto, que irá ser distribuído para as entidades educacionais e culturais da cidade.
O Adalfo, inicialmente emocionado com o momento, surpreendeu-nos com um dos primeiros exemplares do DVD desse filme, ele que enveredou pela carreira de cineasta/diretor.
Esta foi mais uma das grandes ocasiões em que ficamos satisfeitos por pertencer a Caetité – e fazer parte de sua história... Tivemos ocasião de emprestar um pequeno apoio ao trabalho do Adalfo, e sei que muita informação veio ali graças a nossas pesquisas ao longo dos anos: coisas como “descobrir” que de Caetité se originaram nada menos do que 47 cidades, ou no divulgar imagens de alguns dos nossos filhos ilustres...
Uma história construída ao longo de 201 anos – pois que dia 5 de abril foi aniversário da cidade – é algo que ainda nos reserva segredos por serem descobertos – alguns deles guardados a sete chaves; outros apenas esperando para vir a lume com o devido brilho...
Mas uma surpresa me ocorreu, não exatamente ali, naquela noite. Foi um fato corriqueiro, em que eu conversava com um grande amigo de meu cunhado e resolvi sondar-lhe: você sabe quem foi Fulano de Tal? – e perguntei por seu bisavô, líder político num de nossos mais antigos distritos: “Era o padrinho de Papai” – ele respondeu; e Beltrano? “Era o avô de Mamãe, tinha a fazenda em tal lugar”. Trocamos informações, eu gratamente surpreso por encontrar alguém que não perdia suas raízes, mesmo estando tão distantes no tempo. Então, perguntei-lhe: você tem fotos dele? Não, não tinha... Fiquei de mandá-las, depois.
Na fala de Hilton Mantovani, como na daquele caetiteense “de longa estirpe” que encontrara dias antes, pude vislumbrar que podemos ter esperanças de que o passado de nossa cidade não venha a se perder no esquecimento (ou nas sombrias obras acadêmicas que, olhando os registros cartoriais, não sabem nada das pessoas que eram aqueles nomes).
Caetiteenses “de fora”, como foi minha mãe, são o “sangue novo” de que nossa terra precisa. Eles, sem dúvida, sabem “olhar” para aquilo que aqui encontram e, muitas vezes admirados, acabam sendo os responsáveis pela preservação da própria História.
Porque Caetité não é apenas a terra natal de muita gente ilustre, ou de anônimos que, daqui saindo, produziram descendentes que se destacaram... Caetité é simplesmente a terra natal de tantas cidades que, hoje, compreendem um território maior que muitos países.
De Vitória da Conquista – a primeira emancipada daqui, em 1840 – a Lagoa Real – a última, em 1989 – Caetité mantém esse papel de Terra Mãe, que o documentário Bicentenária Caetité tão bem soube retratar, de forma rápida, não enfadonha e muito bem ilustrada.
E, voltando ao lançamento do filme, fica o convite aos que não o viram, ainda, para visitarem a Casa INB, na Praça da Catedral, e assisti-lo. Vale a pena, tanto quanto vale a pena ser caetiteense. Não importa onde se tenha nascido.
quinta-feira, 17 de março de 2011
Stefan Zweig e seu Fouché
Estava, numa das prazerosas tertúlias com o velho bacharel Eutropio Neves de Oliveira, lamentando jamais ter lido algo do escritor teuto-judeu Stefan Zweig, que meu amigo João Batista de Castro Jr. – hoje exilado nos pináculos da função – dizia ser o maior biógrafo que já houve, ele que é um ledor voraz de biografias.
Eutropio, claro, declarou possuir algumas obras dele e logo concertamos o empréstimo – para mim algo alvissareiro: não poderia mais deixar em silêncio quando me lembrasse do escritor austríaco que, fugindo ao nazismo, veio a se suicidar no Brasil: já terei lido o autor!
Foi assim que o volume Joseph Fouché: Retrato de um homem político (tradução de Medeiros e Albuquerque), de 1945, me veio ter às mãos. Quem seria este Fouché? Eutrópio mostra-se surpreso com minha ignorância; mas saio pela tangente, dizendo-me desinteressado por coisas de França e, mais ainda, de sua Revolução...
Uma mentira parcial: já li, por exemplo, o Otto Flake, e seu confuso relato sobre as agitações que começaram na Bastilha e terminaram com o tenente corso tomando o poder, além de tantos artigos a respeito (afinal, foi por conta deste certo Napoleão que o pessoal da Lusitânia tomou os navios e veio ter ao Brasil, atrasando a emancipação de Caetité: como esquecer deste tal Bonaparte?! He, he...)
Pois bem, fui então apresentado ao Fouché: o maior traidor da política, um homem que sobreviveu, mantendo-se sempre na crista da onda, ao período mais conturbado da história francesa.
Ovídio Teixeira, o velho senador caetiteense, dizia que em política só uma coisa é certa: a traição. Então, quem quer compreender este fenômeno politico – a perfídia – terá nesta biografia um exemplo vivo.
Olhando à volta, onde os edifícios antigos caem face o “nada de novo”, a felonia não surpreende; vem de todas as partes, até mesmo daqueles que pregam não de Judas, mas de sua vítima...
Mas uma lei inexorável, sempre, está a reservar desagradáveis surpresas aos traidores: e Fouché foi ele mesmo o exemplo disto (algo que Zweig não diz, apesar de narrar). A vida obedece, sem escapatória, à lei de ação e reação, segundo a qual pagamos o preço justo segundo aquilo que adquirimos.
Alguns, como Joseph Fouché, demoram-se na ilusão. Aqueles que, anos a fio, o assistem, podem mesmo duvidar da existência de uma Justiça Maior. E, quando esta Justiça se faz sentir, inexorável, inevitável, são poucos os que a vêem.
Terminei de ler a obra, nas páginas amareladas do papel com quase 70 anos. Stefan Zweig não viu a Justiça agindo sobre Fouché, mas poucos livros narram a Justiça agindo, como esta biografia do célebre traidor.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Alô? Nosco está?

COMO ANDA A ORTOGRAFIA EM CAETITÉ
O dia 10 de fevereiro foi para mim ocasião de constatar, com os sentimentos ambíguos de tristeza, por um lado, e de divertimento, por outro, que a língua portuguesa está a cada momento sendo mais e mais estrupicada...
Fizera eu então uma rápida visita ao Fórum Cezar Zama - que homenageia um grande escritor brasileiro nascido na Caetité "terra da cultura" - e acabei me deparando com um desses catálogos de telefones editados localmente.
Já de cara um anúncio chamou-me a atenção, ao grafar com letras em destaque, o endereço: "Avenida Wochiton Fernandes Teixeira"; e tal grafia se repetia em outros anúncios. Por curiosidade olhei como estava consignado na lista propriamente dita - e encontrei uma "Avenida Wokyton F. Teixeira"...
Seria apenas um erro por desconhecimento, já que o nome do saudoso médico Wóquiton Fernandes Teixeira era mesmo inventado. Mas ainda assim alguém que se proponha a escrever algo sobre uma cidade deveria, minimamente, consultar quem a conheça minimamente... Como respeito mesmo à memória de pessoas ilustres que já se foram...
A tal lista, porém, conseguiu ir além!
Não satisfeita em errar no nome do médico caetiteense que refundou o Hospital e Maternidade Santana, tratou de colocar o Governador-Geral do Brasil Colônia, Mem de Sá, como Mende Sá; o poeta Carlos Drummond de Andrade virou Carlos Drumont.
Pior mesmo fizeram com o Bispo da Diocese de Caetité, o Reverendíssimo Dom José Terceiro de Souza (1948 - 1957). Dom José tinha o sobrenome de Terceiro e foi, coincidentemente, o terceiro bispo da cidade. Mas a lista, claro, inovou! Ali, temos a rua D. José Iii!!! Seria, então, um rei de Portugal? Sim, porque jamais seria nosso antigo prelado - afinal Terceiro era seu nome, não um título; mesmo sendo o terceiro bispo, foi o primeiro a se chamar José...
Pior foi acessar um site em que havia o link para o contato; no cabeçalho estava correto: Fale conosco. Mas, abaixo da janelinha para contato, havia uma mensagem que reproduzimos acima: "Se preferir pode entrar em contato com nosco"...
Parece que vivemos numa cidade de escritores que não mais sabem escrever... Mas a realidade é outra: o descuido com a língua, com a história, é reflexo não do imediatismo - mas da preguiça mental, da falsa economia que faz com que os registros que passem ao futuro guardem do presente uma triste realidade de ignorância e de fajutas publicações...
Contratem revisores; coloquem seus nomes para que todos saibam quem está a fazer essas - com o perdão da palavra - cagadas...
Que se nosso rico comércio paga por tais anúncios, que ao menos seus filhos e netos, lá adiante, não sintam vergonha de verem como no século XXI eram burros seus anúncios...
E, para finalizar, faço um convite aos leitores para acessarem a Wikipédia, para lerem o verbete sobre o pioneiro do presbiterianismo no Brasil, o Reverendo Henry John McCall. Ali, graças a mim e ao belo trabalho de um pesquisador protestante, vemos não somente a grafia correta do nome deste inglês que em Caetité fundou a Escola Americana, mas sua biografia - que merece ser lida e admirada. Porque quem quer que suba a Avenida Santana e encontre a primeira travessa a ligar esta importante artéria com a Rua Barão de Caetité, encontrará uma placa a grafar "travessa Rev. MACAL"*...
Triste Caetité... terra da cultura apagada...
*Justiça seja feita: ao tempo que demorei para publicar esta postagem a placa com o nome da rua do reverendo Mc Call foi consertada - e seu nome devidamente consignado de modo correto.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Anísio para Caetité

Disse lá o José Pacheco - educador português que no começo de 2010 visitou Caetité - após constatar que os educadores na própria cidade natal nada tinham a informar sobre o Anísio Teixeira:
Em Caetité, encontrei uma secretaria de educação feita de boa gente e com muita vontade de melhorar. Mas não resisti a perguntar: O que há de Anísio nas escolas de Caetité? Qual o legado de Anísio, que se faça presente nas práticas escolares? Respondeu-me um embaraçado silêncio.
O "mal" não é menor. Infelizmente. Mesmo com o trabalho da Casa Anísio, mesmo tendo lá o Instituto de Educação, ainda assim não raramente escutamos coisas como "o que fez Anísio Teixeira para Caetité?"
Fez - e indiretamente ainda faz - e muito!
Anísio deixou-nos um legado que não para de crescer, e dar frutos.
Para tentar suprir um pouco desta lacuna, empreendemos uma pesquisa, a reunir numa só obra o que viveu e fez por Caetité o seu filho mais ilustre.
Servindo como referência e início na (re)descoberta do Anísio, a ideia é não tornar o nome mais famoso - e sim a pessoa menos desconhecida!
Apesar das nossas limitações, é um projeto ainda no seu início - precisa agora de apoio. Mas precisa, sobretudo, ser efetivado - para que ninguém que nos faça uma visita possa novamente escrever que, em Caetité, Anísio Teixeira sofre uma "segunda morte"...
Fica, aqui, mais um convite para os que se interessarem conhecer este nosso novo livrinho, em seu nascedouro: Anísio para Caetité - o livro
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Adeus a mais um grande caetiteense

Oliveiros Guanais Aguiar faleceu. Sua terra natal praticamente silenciou-se, mergulhada na ignorância dos feitos de seus filhos verdadeiros...
Enquanto fingimos ter um governo “socialista”, perdemos um verdadeiro líder estudantil, que presidiu a UNE – União Nacional dos Estudantes nos difíceis anos que antecederam a Ditadura Militar, em 1960 e 61, e um dos grandes médicos que o Estado da Bahia já produziu.
Formado em Medicina, foi o Caetiteense Oliveiros Guanais dos maiores anestesistas da Bahia. Seu conceito profissional fê-lo integrar o Conselho Federal de Medicina. Sobre o líder estudantil, emitiu a UNE a seguinte nota:
Nota de Pesar pelo Falecimento do Presidente da União Nacional dos Estudantes – UNE (1960-61) Oliveiros Guanais Aguiar
É com grande pesar e tristeza que recebemos nesta segunda-feira, dia 23 de novembro de 2010 a notícia do falecimento de Oliveiros Guanais Aguiar, Presidente da União Nacional dos Estudantes entre 1960 e 1961.
Oliveiros Guanais, como ficou conhecido no movimento estudantil, foi presidente da União dos Estudantes da Bahia (UEB) e, posteriormente, eleito Presidente da UNE. Formado em Medicina, Guanais continuou sua “militância” no Conselho Federal de Medicina e teve sua trajetória profissional reconhecida presidindo o 22º Congresso Nacional de Anestesiologia.
Há 50 anos sua gestão realizava o Seminário Nacional de Reforma Universitária em que a UNE elaborou, pela primeira vez, seu programa para a Universidade Brasileira, a Declaração da Bahia.
Lamentamos profundamente sua morte e retomando um trecho da Declaração da Bahia, da qual foi um dos principais artífices: “(…) uma Universidade infiel às suas responsabilidades históricas estará conformando uma sociedade incapaz de auto superar-se, insensível à crítica.”
Nossa geração lhe é grata e a nossa luta por uma Universidade a serviço do povo brasileiro persiste!
São Paulo, 23 de novembro de 2010.
União Nacional dos Estudantes
Já o CFM emitiu a seguinte nota de pesar:
CFM lamenta o falecimento do ex-Conselheiro Oliveiros Guanais de Aguiar
O Conselho Federal de Medicina (CFM) lamenta, com pesar, o falecimento do médico Oliveiros Guanais de Aguiar, ocorrido neste domingo (21). Natural de Caetité (BA), o médico formou-se em 1961 pela Universidade Federal da Bahia e especializou-se em Anestesiologia. O corpo foi velado no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador, onde também ocorreu a cremação, às 15:00.
Dr. Guanais foi conselheiro do Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb), em duas gestões: de 1968 a 1973, tendo assumido a 1ª Secretaria da Diretoria de 1971 a 1973, e de 1993 a 1998.
Também representou os médicos baianos como conselheiro federal, na gestão 1999-2004, quando integrou o Conselho Editorial da Revista Bioética. "Oliveiros foi considerado um dos conselheiros mais eficientes que o Cremeb já teve. Um homem inteligente, culto, polêmico, muito fluente e muito bem preparado para a função" – declara o presidente do Cremeb, Jorge Cerqueira, que esteve presente à cerimônia desta tarde.
O CFM lastima o falecimento do ex-conselheiro e se solidariza com familiares e colegas de trabalho.
Assim, como cidadão caetiteense, resta-me lamentar que os verdadeiros representantes de nossa cidade tenham guardado o constrangedor silêncio. Revelamos ao mundo, mais uma vez, que a falta de valores em Caetité se patenteia em não reconhecer os valores que efetivamente temos. Lamentamos não somente a morte deste filho ilustre, mas sobretudo o silêncio dos abutres...
André Koehne
Escrevi esse texto há algumas semanas... Sempre me toca não somente a perda de grandes nomes, mas sobretudo o descaso com que essas perdas "passam". A imagem que ilustra este artigo veio da Wikipédia, foi tirada pelo seu filho Fred, que então conheci "pela internet". Não foi fácil mantermos o verbete do grande caetiteense: queriam fontes, e tivemos que adequar o texto às exigências. O biografado ainda estava entre nós - e me escapa saber se um dia chegou a ver-se ali... Mas não importa! Importa-me saber que, mesmo no anonimato, ajudei a manter acesa a memória em Caetité. Meus sentimentos sinceros de pesar, sobretudo ao Fred e à "tia" Palmira - esta última minha dileta Confreira de Academia - e que me fez conhecer do Dr. Oliveiros um dos seus "lados" mais prazeirosos: o do irmão. E é como um irmão caetiteense - de verdade, não dos pseudo-caetiteenses sem memória e sem respeito - que esta minha lágrima aqui junta a falta com a mais profunda admiração ao grande conterrâneo, cuja memória vencerá aqueles que mal enxergam além do outdoor dos templos e dos vendilhões...
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Coelho na cartola

Parece que virou lugar-comum, ao menos nas revistas que tratam de literatura ou mesmo na internet - menosprezar o trabalho do Paulo Coelho.
Nunca entendi direito a motivação para tal. Lembro-me duma charge em que o rato de sebo mandava um burro ler livros de auto-ajuda, Paulo Coelho e, se um dia lesse Machado de Assis... que voltasse dali a 20 anos...
Paulo Coelho faz sucesso, é membro da Academia Brasileira e, não bastasse o sucesso internacional de ser lido em diversos países, sua obra é considerada "menor"...
O que faltou ao Coelho para merecer cidadania literária? Criatividade? História? Falar de temas cotidianos de modo barroco? Ter nascido no século XIX, talvez...
Ou, quiçá, haver nascido no Brasil da virada do Milênio o torne menor do que realmente é?

Tudo isto porque, há pouco tempo, a França celebrou o sumiço do escritor Antoine de Saint-Exupéry, desaparecido misteriosamente durante a II Guerra Mundial. Autor do livro infanto-confuso "O Pequeno Príncipe" (Le petit prince). Obra-prima lida por todas as misses nos concursos de tempos passados, para aqueles que não se lembram ou não eram nascidos... Pois a França celebrou sua memória, nos 65 anos sem o autor do livreto das misses.
Como se fora um heroi nacional francês, o autor de O Pequeno Príncipe foi (e é) cultuado.
Cá eu comigo penso... Que diabos de literatura é O Pequeno Príncipe para que figure num patamar acima de... Diário de um Mago, por exemplo?
Entre um e outro, a qualidade do autor brasileiro é mil vezes superior; a seu favor conta, ainda, o fato de que foi lido por um presidente dos EUA - o equivalente moderno das antigas misses? Pois que não me consta seja o Paulo Coelho a leitura de misses...
Acho, mesmo com base em algo que escrevera Anísio Teixeira muito tempo atrás, que inda estamos divididos - os intelectuais - entre aqueles que fingem saber e os que falam mal dos que sabem...
Infelizmente para nossa memória, e para o Paulo Coelho, os da segunda espécie são os modernos Paulo Francis - fracassados a deitar o cacete naqueles que conseguiram...
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Filhote da ditadura: a impunidade

A imagem ao lado faz parte dum email tipo spam que recebi, e que trata a Ministra Dilma Roussef como terrorista, que efetivamente foi.
Mas a questão de fundo é pior, mais suja e nojenta: trata de defender a impunidade de criminosos que, em nome do Estado que tomaram covardemente à força, querem justificar seus crimes dizendo que "o outro lado também os cometeu".
Isto, hoje, faz com que fechemos os olhos à pena de morte aplicada por policiais militares despreparados, e que muitas vezes atende a encomendas de quadrilhas, sistemas primitivos de vingança e outras - como uma que ocorreu no final de 2009 na Região Metropolitana de Salvador - uma terra sem lei - para ficarmos num pequeno e trágico exemplo que se alastra do Oiapoque ao Chuí.
A Ditadura Militar brasileira foi o que de mais abjeto poderia ter ocorrido em nossa história. Começou pelo crime de lesa-Constituição, que foi a de derrubar um estado de direito. Nada, portanto, feito sob a égide disto, pode ser justificável: o militar jura cumprir a Carta Maior do seu país. Qualquer militar - de ontem ou de hoje - que justifique esse golpe canalha, fere antes a si próprio, em sua honra de servir ao seu povo.
A ditadura, e não a democracia que derrubou acusando de corrupção, foi quem introduziu no Brasil a impunidade. Tanto na política, como fora dela. Foi das fileiras de nosso Exército que saiu o Capitão Guimarães, bicheiro e chefe de quadrilha do conflagrado Rio de Janeiro: o Exército, bem antes das chamadas "ações pacificadoras", já ocupara os morros... Da pior e mais cruel forma possível.
Ao deixar os quartéis, não para defender o povo brasileiro, mas para arvorar-se em tutor do mesmo, nossos militares se associaram à pior espécie de bandidos: aquela que se arma das próprias instituições para a prática dos delitos.
Falam do avanço econômico - mas todo ele foi feito num "milagre" que ergueu grandes empreiteiras que, para além de obras faraônicas, se especializaram numa coisa só: superfaturar e dividir a bolada, em expressões que - de tão comuns - são usadas até pelo presidente como desculpa - como a tal "caixa dois"...
A coisa foi tão gritante que hoje não há uma só estrutura do Estado que seja confiável. Os três poderes (em minúsculo) em todas as suas esferas, se corrompem. E, por estarem tão corrompidas, o dinheiro faz criar uma aura de impunidade que se efetiva proporcionalmente ao poder aquisitivo do infrator.
Autora de coisas como a Lei Fleury - algo tão abjeto que leva o nome de seu beneficiário - a Ditadura volta a chorar por impunidade... Por que o medo de nossa justiça? Afinal, o sistema que legou-nos de herança não é justamente aquele que nunca pune os que podem pagar?
Me perdoem os bons militares que souberam reconduzir o país à normalidade, e mesmo hoje lutam para mantê-la, honrando seu juramento à Pátria e à Constituição; mas a "defesa" que tentam agora fazer é mesmo um acinte à História, á Decência!
Por que não usam dos recursos usados para atacar uma Ministra - que será julgada, espero, pelas urnas - para protestar contra a impunidade, o mal que continua matando milhares de brasileiros a cada ano?
Ou, então, teremos que voltar a ouvir a frase que vocês, que cuspiram na Ordem em 1964, tanto repetiam: "Você sabe com quem está falando?"...
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
FELIZ 2010 A TODOS
sábado, 5 de dezembro de 2009
Curtas caetiteenses
INAUGURANDO O NATAL
Caetité é a única cidade do mundo que pinta asfalto de preto; agora, já que a máxima "pão e circo" se resume apenas ao "circo", temos a "Inauguração do Natal". Festona! Isso, e aquela festona para inaugurar um mastro na pracinha da Feira, mostra como vamos bem de obras públicas...
*********
MUITA CHUVA
O Governador Jaques Wagner veio a Caetité. Na Praça da Catedral vazia, Wagner discursou. Não falou muita coisa que preste, mas com certeza o mandatário maior do Estado falou duas coisas verdadeiras:
Uma: mandou o povo ao lado dele calar a boca - de fato, falam demais e fazem de menos.
Duas: criticou o povo que pula de partido a cada eleição. Recado para o atual Prefeito, que ninguém sabe de que partido é, ou era, ou será?
*********
MUITA CHUVA 2
Cai um pé d'água em Caetité, e na vizinha Igaporã só uma neblina. Enquanto isso, rios de dinheiro para as viagens diárias de médicos oftalmologistas que, de avião, aterrissam na cidade para operar o povo que tem catarata e votará ano que vem. Daqui a quatro anos, acho, o avanço da medicina voltará ao nosso sertão.
Pra uma cidade governada por um "socialista" com uma "comunista", eu achava que fosse melhor ensinar a pescar do que ficar dando o peixe. Por que não investir esse rio de dinheiro com bolsas de estudo para médicos daqui mesmo se capacitarem? Assim, em vez de esmolas em anos de eleição, teríamos experts permanentemente... Afinal, doença é como a fome: acaba hoje, amanhã tem mais.
Ou será que o clientelismo aéreo dos nossos "socialistas" não é mais "clientelismo"?
*********
MUITA CHUVA 3
Abriu-se um buraco na esquina da avenida com o beco do Supermercado Cruz. Há um ano, xingavam o prefeito; agora, foi coisa da água mesmo...
Sinal dos tempos. Ou de falta de liderança na oposição?
Caetité é a única cidade do mundo que pinta asfalto de preto; agora, já que a máxima "pão e circo" se resume apenas ao "circo", temos a "Inauguração do Natal". Festona! Isso, e aquela festona para inaugurar um mastro na pracinha da Feira, mostra como vamos bem de obras públicas...
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MUITA CHUVA
O Governador Jaques Wagner veio a Caetité. Na Praça da Catedral vazia, Wagner discursou. Não falou muita coisa que preste, mas com certeza o mandatário maior do Estado falou duas coisas verdadeiras:
Uma: mandou o povo ao lado dele calar a boca - de fato, falam demais e fazem de menos.
Duas: criticou o povo que pula de partido a cada eleição. Recado para o atual Prefeito, que ninguém sabe de que partido é, ou era, ou será?
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MUITA CHUVA 2
Cai um pé d'água em Caetité, e na vizinha Igaporã só uma neblina. Enquanto isso, rios de dinheiro para as viagens diárias de médicos oftalmologistas que, de avião, aterrissam na cidade para operar o povo que tem catarata e votará ano que vem. Daqui a quatro anos, acho, o avanço da medicina voltará ao nosso sertão.
Pra uma cidade governada por um "socialista" com uma "comunista", eu achava que fosse melhor ensinar a pescar do que ficar dando o peixe. Por que não investir esse rio de dinheiro com bolsas de estudo para médicos daqui mesmo se capacitarem? Assim, em vez de esmolas em anos de eleição, teríamos experts permanentemente... Afinal, doença é como a fome: acaba hoje, amanhã tem mais.
Ou será que o clientelismo aéreo dos nossos "socialistas" não é mais "clientelismo"?
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MUITA CHUVA 3
Abriu-se um buraco na esquina da avenida com o beco do Supermercado Cruz. Há um ano, xingavam o prefeito; agora, foi coisa da água mesmo...
Sinal dos tempos. Ou de falta de liderança na oposição?
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Puta Genoína...

Foi no Senado da República que certa feita ouvimos, da tribuna, um vetusto parlamentar proferir, a um seu colega:
Prostituta pregando castidade.
Não somos dos que acreditam que os prostituídos deixem de pregar castidade; entretanto, Silvio Berlusconi pode enganar a Itália por algum tempo, mas não toda a União todo o tempo... Assim, ao menos, esperamos.
Tampouco somos daqueles que assistem passivamente longos discursos da tribuna da Câmara dos Deputados, como o proferido neste começo de novembro pelo deputado "assessor-com-dólar-na-cueca" José Genoíno.
O companheiro, descaradamente em defesa própria, chegou a acusar a CNBB de nazista! Por propor, junto a um milhão e meio de brasileiros honestos (que, com certeza, não têm assessores, muito menos assessores pilhados com dólares), que candidatos de ficha suja tenham seus registros negados pela Justiça Eleitoral.
***
Genoíno já foi um dos meus ídolos. Quando falava, vejam só, o oposto! Quando, sem ter arrastando nas roupas íntimas a lama que o persegue, pregava a castidade (no caso, a ética na política)...
Fui de um tempo em que admirávamos o líder estudantil José Dirceu que, perseguido pela Ditadura, tinha no seu encalço - lá por volta de 68, aquele ano que não acabou, como constatou o Zuenir - uma espiã do SNI (já era SNI?) chamada - vejam só - Heloísa Helena! Claro que é só uma coincidência de nomes, porque a atual Heloísa Helena, bem mais nova, não foi espiã, foi EXPIADA pelo Zé Dirceu, como todos devem se lembrar.
Zé Dirceu caiu, e caiu porque um velhinho meteu-lhe uma bengala na cabeça; e uma bengalada daquelas que somente tiveram efeito porque foi filmada; e exibida - para bem mais dos um milhão e meio que assinam a justa tentativa moralizadora da CNBB...
Mas, vejam só, Dirceu caiu como deputado; justamente onde fora se esconder - friso bem isso - se esconder da justiça, para não ter de ser processado pelo tal do Mensalão que agora o Berzoini disse ter ouvido falar... (a Dilma, não. Ela também não sabia de nada...)
Nesse diapasão, nada mais genoíno desse genuíno de*puta*do que reclamar da CNBB - a ponto de comparar a entidade com algo como o pérfido nazismo...
***
Não, hoje ninguém parece entrar no respeitável parlamento brasileiro com bengalas. Nem eu, sequer, tinha a minha (eu não tenho bengala, pô!) para simular uma bengalada na cabeça e na cueca do Genoíno pelo monitor da tevê...
A Tribuna, onde esperava eu ouvir propostas contra a criminalidade do Rio que se espalha, espalhando o câncer do crack em nossos meninos e meninas, foi usada pelo José Genoíno, companheiros, para denegrir UM MILHÃO E MEIO DE BRASILEIROS HONESTOS!!!!
Sabem o que me consola?
Que o Genoíno não é mais nada; nem pálida sombra do homem que já foi, até a tal cueca aparecer...
Que seu imenso discurso teve apartes de apoio de gente do DEM, de gente que deve mais ou tanto quanto ele...
Que ninguém acredita nele...
Que ainda falam, lá no Senado, que são mesmo prostituídos falando em castidade...
Mas, parafraseando a companheira Marta, deixo aqui meu quase anônimo protesto:
"Cala a boca, Genoíno!"
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Ui-que-pedia

Ou: Como ter um verbete jogado no lixo
Passei um bom tempo de minha vida editando na versão em português da Wikipedia. Cheguei, a contragosto, a ser "administrador" lá e, também a contragosto, deixei de sê-lo.
Muita gente "mora" na Wikipédia lusófona; alguns têm lá suas brigas, seus desentendimentos, que se arrastam por meses, anos até, sem que haja qualquer solução; porque na qualidade de internautas, gozam da memória extra do computador para não esquecerem jamais (e, consequentemente, nunca perdoarem); há, também, no caso da Wikipédia, uma memória extra - já que todas as edições feitas ficam indeléveis nos históricos de cada página: esse o combustível. Os usuários que não perdoam, são o comburente...
Meu "compromisso" em editar ali era o chamado "domínio principal" - os verbetes propriamente ditos, seu conteúdo. Milhares de edições, consertos, uma luta por levar informações nem sempre fáceis de obter. Uma chance única, por exemplo, de poder falar de figuras que dizem respeito à história da minha cidade, do Estado da Bahia e, enfim, do mundo todo.
Partindo da aldeia pequenina, para a aldeia global.
Tive, até, a felicidade de, no passado, comprovar na prática a importância desse trabalho, quando via alunos do nível secundário e até da universidade, tomando por base coisas que eu havia escrito ou ajudado a escrever, um dia...
Mas, como já falei, as disputas surgidas nunca são abandonadas. Não quero dizer que não as tenha provocado, com o jeito ríspido de "falar" - mas nunca entendi o motivo de alguns usuários simplesmente se antipatizarem perpetuamente...
Saí do projeto, depois de mudar meu "nome" - tinha usado o nome verdadeiro e acabei sendo xingado por irresponsáveis anônimos (claro, escondidos por "nomes" criados para o registro ali).
Como recentemente disseram, volto como "turista". Mas mesmo como turista é difícil continuar... E, infelizmente, como eu dezenas de outros usuários mais assíduos foram embora, quer permanentemente, quer com voltas esporádicas.
Fiz grande amizades na Wikipédia. Um cearense, morador de Londres, por exemplo, chamado "MHV"... Depois, ele saiu do projeto e, numa das voltas últimas, veio para brigar comigo... É estranho isso, pois até agora não vejo o que fiz a ele pra que isso se desse assim. Mas tenho ainda enorme carinho por ele, e todos com quem pude travar esse estranho relacionamento amistoso que a internet nos proporciona...
Há uma página na qual podemos observar o que vem ocorrendo; chamada de "mudanças recentes", retrata tudo o que ultimamente vem se passando. Ali vi, há pouco, que um anônimo havia escrito algo indevido num verbete intitulado "Justiça Especial". Ao ler o conteúdo, porém, vi que o conceito dado era totalmente diverso daquele que o Direito brasileiro determina; apaguei e reescrevi. Mas sei que, daqui a algum tempo, o verbete estará todo "manchado" - cheio de marcações e vandalismos não revertidos.
Porque, com a diminuição dos que efetivamente colaboravam contra os vândalos de conteúdo, as reversões de erros acabam ocultando erros mais antigos, até termos coisas como o Farsa de Inês Pereira, que registra:
Entretanto entram em peça dois “cimenteieros judeus” que também cuidavam de arranjar cimento para +3, e se bem procuraram melhor acharam e Inês se casa com um escudo, de sua graça Bras da Mata
Trazendo frases que um dia foram:
Inês Pereira, moça simples e casadoira mas com grande ambição procura marido que seja astuto, sedutor, “que saiba tanger viola, e eu coma cebola.”
mas que, quando escrevo, estão:
Inês, moça simples e casadoura mas com grande ambição procura marido paniscao que seja astuto, sedutor, “que saiba tanger viola, e eu coma coco.”
Comer coco ou cebola não têm tanta diferença - especialmente para a qualidade dos que preferem brigar entre si do que ver o que se vai no domínio principal (verbetes).
****
Hoje não vejo mais, como antes, as pessoas a consultar a Wikipédia... A começar por minha filha, que ali se servia e agora, simplesmente, torce o nariz quando lhe falo desse projeto...
É que as pessoas não ficam comendo coco, quando compram cebolas. Acho...
Ao propor como destaque o verbete Agricultura no Brasil, acabei ouvindo coisas como "nenhum agrônomo, por exemplo, leria esse artigo e votaria a favor". Nem respondi mais, talvez em consideração ao meu cunhado, ex-diretor da EBDA, e que me deu oportunidade de ilustrar o verbete com várias de suas plantações, autoridade que é em fruticultura, algodão e tantas cositas más...
A verdade na wiki é assim: um sujeito qualquer vai lá, diz que um agrônomo não iria gostar de algo - e o que ele falou é incontestável. Pensei até em convidar o cunhado pra rir comigo do tal comentário, mas ele é muito ocupado pra isso...
Fica-me o consolo, entretanto, de saber que a Wikipédia poderia ter sido uma experiência única de democratizar o conhecimento; foi o que fiz e não me arrependo.
Mas fica, também, a constatação de que num espaço de birras e mediocridades, o resultado final é que estaremos comendo coco no lugar de cebola...
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
História carangueja...

O livro "História da Bahia", do eminente Luís Henrique Dias Tavares, é uma obra interessante.
Poucos conhecem a História desse Estado, sua riqueza e personagens marcantes.
Mas... Algo nos chama a atenção ao longo dessa obra - como de resto em quase todos os livros de História sobre o Brasil: é como se as coisas apenas ocorressem num só lugar: a capital, o litoral...
Lembro-me, no caso do livro do Dias Tavares, de haver procurado um tema específico, pensando algo como: "não tem como este sujeito falar disto sem se reportar ao sertão!".
O tema era o chamado "Mata-Maroto", lutas que duraram mais alguns anos após a Independência brasileira e baiana (para os que não sabem, aqui na Bahia houve lutas, que começaram antes mesmo do tal "Grito do Ipiranga", e só se terminaram quase um ano após ele, a 2 de julho de 1823) - e que ganharam grande relevo nas Vilas de Caetité e Rio de Contas...
Que decepção: o professor Dias Tavares, que parece haver esquecido o parentesco com o gigantesco e genial caetiteense Nestor Duarte Guimarães, enxergou o "Mata-Maroto" como algo do litoral!
Nem, ao menos, se lembrou do também genial Anísio Teixeira - contra quem, aliás, na juventude, Dias Tavares andara a escrever panfletos inflamados - nascido na mesma Caetité que, ao que parece, não existia na História tavariana...
Qual caranguejo, a História fica restrita aos grandes centros e ao litoral brasileiro. A "periferia", coitada - ainda padece de, sei lá, preconceito?
Oh, Minas Gerais!
Criador do "Projeto Manuelzão", o médico carioca e professor da Federal de Belo Horizonte, dr. Apolo Heringer Lisboa, publicou certa feita um livro, escrito por seu pai - Abdênago Lisboa - intitulado "Octacilíada - uma epopéia do Norte de Minas".
Quando tive a obra em mãos, olhei-a com aqueles olhos de quem procura algum elo com a minha aldeia. Sem muita esperança, é claro: afinal, era sobre Minas Gerais. E, se nem um historiador baiano falava de Caetité, muito menos aquela... EPA!
Foi como se um gelo me percorresse a espinha! Em meio a páginas de fotografias, deparei-me com uma - muito, muito antiga - de um tal João Caetano. Não era nada, não: era ninguém menos que o sujeito que, duzentos anos atrás, construíra a casa em que moro! E de quem eu nunca soubera houvesse uma fotografia!
E foi então que passei a descobrir, em muitas obras da História mineira, que Caetité estava lá! Porque, mesmo os caranguejos tavarianos fingindo não saber, o Sertão produziu muita coisa, influiu (e influi) em muitas outras.
Eu, que achava que a ligação com Minas e Caetité vinha do Neves do Tancredo (sim, saiu daqui), ou dos povoadores cultos da cidade, mineiros fugindo na época da Inconfidência, ou mesmo com o prosaico estudo na cidade do esperto (mas não culto) Newton Cardoso, passei a colecionar pérolas, como "Raízes de Minas" do Ribeiro Pires - a falar dessa minha aldeia - ainda ignorada pelos caranguejinhos...
Dividamos a Bahia, ora pois!
A idéia, fracassada quando da Constituinte em 1988 - graças a uma bela campanha feita em Salvador - a terra dos caranguejos - com o singelo slogan "Alto lá! A Bahia ninguém divide" - seria uma das soluções para termos um governo que não ficasse, assim como os caranguejos, voltado somente para a Capital...
A Bahia, gigantesco como Estado, é algo miúdo por conta de seus políticos. Enquanto Minas Gerais tem lá suas 20 Universidades Federais, a Bahia tinha apenas uma. Quando o Lula criou (dizem) a Universidade do São Francisco, o rio que tem sua maior extensão nesse mesmo esquecido sertão, olha só onde foi ficar a sede: em PERNAMBUCO! Que já tinha, sei lá, três ou quatro Federais! O Pernambuco de Lula é uma tripinha, comparado à abandonada Bahia!
Para "compensar" tal desfeita, lá veio o bondoso Lula criar outra Federal na Bahia. Sabem o que ele fez? Criou a Federal onde a UFBA tinha o Campus de Agronomia, e batizou-a com o nome do Recôncavo...
O povo lê Bahia e entende que o estadinho limita-se à baía... de todos os santos e caranguejos!
Por isso, tenho como herói alguém que Salvador matou como bandido: Horácio de Matos. Horácio, nos idos dos anos 20 do século passado, criou o "Governo de Lençóis" e, dali, da cidade incrustada na bela Chapada Diamantina, mandava no Sertão.
Já antes o caetiteense Rodrigues Lima cogitou mudar a Capital para Vitória da Conquista. Chamaram-no, os caranguejos do século XIX, de louco; mas era mesmo por saber que os caranguejinhos morrem de medo de olhar a terra!
Tem esperança?
Ufa! Escrevi demais! Mas tava pensando nessa moça, a Dilma Roussef. A que quer ser nossa primeira Presidenta. Ela é mineira...
Mais: há uma semana (dia 7 de outubro de 2009), no aniversário do "quase" caetiteense e primo distante Haroldo Lima, Dilma em discurso fez uma revelação: declarou-se bisneta de um caetiteano.
Tudo bem que não falou caetiteense... Mas ela tem raízes aqui! Vai que ganhe a eleição? Ao menos, quem sabe, não olhe o sertão com os olhos de peixe morto de um Wagner, ou mesmo dum Magalhães...
Porque Lula, esse que assistiu sua "virada" ocorrer na "caetiteense" Vitória da Conquista, fez nada não.
E, já que não vamos nos emancipar dessa Baía (sem h, que não merece), não nos custa sonhar...
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
200 anos de Caetité - erros históricos

Uma cidade fazer 200 anos é algo raro. Caetité era uma das trinta e oito unidades municipais que existiam na Bahia do Brasil-Colônia, em 1810 quando, depois de mais de uma década de lutas, os seus cidadãos finalmente conseguiram comprar a emancipação da Vila de Nossa Senhora do Livramento de Rio das Contas (uma vila que se emancipara em 1724 como Livramento mas que, dois anos mais tarde, transferiu-se para Rio de Contas).
O de que falaremos aqui é sobre como uma cidade erra sobre sua própria história e de como apenas a preguiça em ler pode causar um erro tal...
Ocorre que, a despeito de ser pacífico entre os historiadores sérios a data de emancipação da cidade o 5 de abril de 1810, de há muito os órgãos oficiais (municipais, alguns estaduais e até federais) consignavam, num circuito vicioso, como data maior de Caetité o dia 12 de outubro de 1867...
A professora Helena Lima Santos, irmá do ex-Primeiro-Ministro (o último do Brasil, nos conturbados anos do governo Jango), autora do maior livro sobre a história caetiteense, dedicou uma linha na sua obra "Caetité, Pequenina e Ilustre" ao fim do capítulo que trata da nossa emancipação. Quando da segunda edição da obra, em 1996, sabe-se lá por qual motivo, o editor (que foi ninguém menos que seu filho Maurício), transformou essa mesma linha em "capítulo" à parte, com o título pomposo de "Elevação a Cidade e Grafia de Caetité". A linha de que falamos diz, exatamente:
A vila foi elevada à (sic) cidade pela Lei 995 de 19 (sic - deveria estar 12) de outubro de 1867.
Assim, com esses dois errinhos - um de português, outro de data mesmo - é só isso que traz esse livro; e nem poderia ser diferente: essa leizinha não significa nada: nem historicamente, nem simbolicamente...
Uma linha, somente. Para os que não gostam de ler essa linha passou a ter mais valor do que as 5 páginas e um parágrafo que compõem o Capítulo precedente: "Criação da Vila".
Assim foi que fizeram do dia 12 feriado municipal (como se já não o fosse nacional, dia da Padroeira Nossa Senhora Aparecida), e puseram o ano da insignificante lei 995 como nossa "data maior": o Brasão de Caetité passou a ostentá-la! Roubando nada menos que 57 anos de vida citadina; inexplicável, portanto, como dizer que a Imperial Vila da Vitória poderia ter daqui se emancipado em 1840 - se sequer existíamos, na visão destes!
Sem sermos emancipados, como teriam os vereadores manifestado apoio a D. Pedro I? E o que dizer de nossos Intendentes (como eram chamados os prefeitos), como Antonio de Souza Maciel (1810-14), Francisco Rodrigues Carneiro (1815-18), Caetano Pires Bandeira (1819-22), Jorge da Silveira Machado (1823-26), Agostinho Carmelino Leão (1827-30), Jacinto Antônio de Brito (1831-34 e 1845-48), Felipe Rodrigues Ladeia (1835-36), Joaquim Venâncio Gomes de Azevedo (1837-44), José Antonio Pimenta (1848-52 e 1861), Porfírio de Brito Gondim (1953-58), José de Souza Fraga (1859-60), Cipriano José das Neves (1862-65) e, finalmente, Gregório de Souza Barros (que, curiosamente, começara seu governo em 1866 - um ano antes da tal data da falsa "emancipação")
Portanto, a única explicação plausível para que um erro de tal monta tenha obtido tantos adeptos é mesmo a tal preguiça de ler... Claro que é mera especulação, carecendo de fontes, mas há alguns anos me ocorreu algo que parece corroborar tal hipótese: era aniversário da cidade (5 de abril, não confundam) e fui a um programa de rádio falar sobre. No meio da entrevista um espectador liga, identificando-se como professor da rede municipal de ensino (a mesma que ainda comemorava a data falsa) e me sapeca aquela mesma linha citada há pouco neste texto... "Professor" - disse-lhe, então - "volte mais 5 páginas, e leia, se não tudo, ao menos a primeira"...
Num país que não sabe cantar seu Hino Nacional, isto parece ser um pingo d'água no oceano - mas, na verdade, são os pingos d'água que fazem o oceano da ignorância ser o que é...
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Cotas nas Universidades

Anos atrás ouvi de um ex-comunista (e hoje até os comunistas são ex) que o Brasil deveria privatizar as universidades. Para mim, fruto do ensino público e gratuito toda a minha vida, aquilo soou como heresia. Não por mim, mas justamente porque quem o dizia havia não somente estudado todos os três graus pelo ensino público: mas porque justamente ele se beneficiara do dinheiro público até para morar na capital, enquanto se preparava para entrar na faculdade e durante todo o tempo em que lá ficou, numa residência estudantil mantida pela prefeitura...
Na época, meu único argumento foi perguntar-lhe:
O Brasil lhe deve muito, não? Pois você usufruiu da gratuidade toda a vida e agora, quer fechar as portas aos que não lá chegaram.
O escritor Luis Fernando Verissimo, que quando fala sério fala como poucos, nos dá uma demonstração sucinta de como vemos a reação da sociedade "não-racista" brasileira contra a instalação do sistema de cotas nas universidades...
Diz ele, comparando Brasil e EUA: "A diferença entre um país e outro é essa. Lá o racismo é uma questão nacional. Aqui uma ficção de integração dilui a questão racial. E se a questão não existe, se ninguém é racista, por que nos preocuparmos com denominações corretas ou incorretas? Só quando a ficção é desafiada, como no caso das cotas universitárias, é que aparece o apartheid que não se reconhece."
Vivemos um apartheid brasilis, uma aberração que sempre (desde quando a escravidão vigia) tolerou uns dois ou três por cento de negros nos meios sociais mais abastados. Uma cifra que não se altera, mesmo no século XXI - e que o sistema de cotas insiste em querer alterar...
Gostamos, como na imagem acima de Rugendas, de olhar a massa de nossas janelas, partilhando a mesma visão: uns, morando nas mansões, os outros nas mansardas...
Testemunhei muitos casos de racismo ao longo de minha vida. Racismo verbal, claro, ou a "coisa" seria mesmo caso de polícia. Ser "branco" nos permite ser tomado por "cúmplice" de tais comentários. Mas um deles foi constrangedor: um comerciante me dizia barbaridades a cada contradição que lhe retrucava e, no calor de sua desfaçatez, um cliente, negro, entrou. Eram amigos, e o tal comerciante não o vira e continuou seu discurso. Não era pessoal, mas era ofensivo. O constrangimento foi tanto que eu já me preparava para dizer a verdade e nada mais que a verdade quando ambos, vendedor e comprador, finalmente vendo-se mutuamente, seguiram adiante como se absolutamente nada houvesse ocorrido...
Mais tarde, procurei o amigo que chegara e lhe perguntei o que achara daquilo que havia escutado. Não sei o que esperava como resposta, mas a que obtive foi um "deixa pra lá", "já estou acostumado" e "fulano é assim"...
Não sei por quem ele me tomara - se por um cúmplice, mais um dos autores do apartheid brasilis - aquele que "não se reconhece" - mas o fato é que tudo continuava como dantes. É melhor ir deixando pra lá, fazendo de conta que somos mesmo todos iguais, que o Brasil pratica a mais perfeita interação social e... ainda tem coragem de falar contra a mais que urgente reparação...
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