Mostrando postagens com marcador Dilma Roussef. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dilma Roussef. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Filhote da ditadura: a impunidade



A imagem ao lado faz parte dum email tipo spam que recebi, e que trata a Ministra Dilma Roussef como terrorista, que efetivamente foi.

Mas a questão de fundo é pior, mais suja e nojenta: trata de defender a impunidade de criminosos que, em nome do Estado que tomaram covardemente à força, querem justificar seus crimes dizendo que "o outro lado também os cometeu".

Isto, hoje, faz com que fechemos os olhos à pena de morte aplicada por policiais militares despreparados, e que muitas vezes atende a encomendas de quadrilhas, sistemas primitivos de vingança e outras - como uma que ocorreu no final de 2009 na Região Metropolitana de Salvador - uma terra sem lei - para ficarmos num pequeno e trágico exemplo que se alastra do Oiapoque ao Chuí.

A Ditadura Militar brasileira foi o que de mais abjeto poderia ter ocorrido em nossa história. Começou pelo crime de lesa-Constituição, que foi a de derrubar um estado de direito. Nada, portanto, feito sob a égide disto, pode ser justificável: o militar jura cumprir a Carta Maior do seu país. Qualquer militar - de ontem ou de hoje - que justifique esse golpe canalha, fere antes a si próprio, em sua honra de servir ao seu povo.

A ditadura, e não a democracia que derrubou acusando de corrupção, foi quem introduziu no Brasil a impunidade. Tanto na política, como fora dela. Foi das fileiras de nosso Exército que saiu o Capitão Guimarães, bicheiro e chefe de quadrilha do conflagrado Rio de Janeiro: o Exército, bem antes das chamadas "ações pacificadoras", já ocupara os morros... Da pior e mais cruel forma possível.

Ao deixar os quartéis, não para defender o povo brasileiro, mas para arvorar-se em tutor do mesmo, nossos militares se associaram à pior espécie de bandidos: aquela que se arma das próprias instituições para a prática dos delitos.

Falam do avanço econômico - mas todo ele foi feito num "milagre" que ergueu grandes empreiteiras que, para além de obras faraônicas, se especializaram numa coisa só: superfaturar e dividir a bolada, em expressões que - de tão comuns - são usadas até pelo presidente como desculpa - como a tal "caixa dois"...

A coisa foi tão gritante que hoje não há uma só estrutura do Estado que seja confiável. Os três poderes (em minúsculo) em todas as suas esferas, se corrompem. E, por estarem tão corrompidas, o dinheiro faz criar uma aura de impunidade que se efetiva proporcionalmente ao poder aquisitivo do infrator.

Autora de coisas como a Lei Fleury - algo tão abjeto que leva o nome de seu beneficiário - a Ditadura volta a chorar por impunidade... Por que o medo de nossa justiça? Afinal, o sistema que legou-nos de herança não é justamente aquele que nunca pune os que podem pagar?

Me perdoem os bons militares que souberam reconduzir o país à normalidade, e mesmo hoje lutam para mantê-la, honrando seu juramento à Pátria e à Constituição; mas a "defesa" que tentam agora fazer é mesmo um acinte à História, á Decência!

Por que não usam dos recursos usados para atacar uma Ministra - que será julgada, espero, pelas urnas - para protestar contra a impunidade, o mal que continua matando milhares de brasileiros a cada ano?

Ou, então, teremos que voltar a ouvir a frase que vocês, que cuspiram na Ordem em 1964, tanto repetiam: "Você sabe com quem está falando?"...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

História carangueja...



O livro "História da Bahia", do eminente Luís Henrique Dias Tavares, é uma obra interessante.

Poucos conhecem a História desse Estado, sua riqueza e personagens marcantes.

Mas... Algo nos chama a atenção ao longo dessa obra - como de resto em quase todos os livros de História sobre o Brasil: é como se as coisas apenas ocorressem num só lugar: a capital, o litoral...

Lembro-me, no caso do livro do Dias Tavares, de haver procurado um tema específico, pensando algo como: "não tem como este sujeito falar disto sem se reportar ao sertão!".

O tema era o chamado "Mata-Maroto", lutas que duraram mais alguns anos após a Independência brasileira e baiana (para os que não sabem, aqui na Bahia houve lutas, que começaram antes mesmo do tal "Grito do Ipiranga", e só se terminaram quase um ano após ele, a 2 de julho de 1823) - e que ganharam grande relevo nas Vilas de Caetité e Rio de Contas...

Que decepção: o professor Dias Tavares, que parece haver esquecido o parentesco com o gigantesco e genial caetiteense Nestor Duarte Guimarães, enxergou o "Mata-Maroto" como algo do litoral!

Nem, ao menos, se lembrou do também genial Anísio Teixeira - contra quem, aliás, na juventude, Dias Tavares andara a escrever panfletos inflamados - nascido na mesma Caetité que, ao que parece, não existia na História tavariana...

Qual caranguejo, a História fica restrita aos grandes centros e ao litoral brasileiro. A "periferia", coitada - ainda padece de, sei lá, preconceito?

Oh, Minas Gerais!
Criador do "Projeto Manuelzão", o médico carioca e professor da Federal de Belo Horizonte, dr. Apolo Heringer Lisboa, publicou certa feita um livro, escrito por seu pai - Abdênago Lisboa - intitulado "Octacilíada - uma epopéia do Norte de Minas".

Quando tive a obra em mãos, olhei-a com aqueles olhos de quem procura algum elo com a minha aldeia. Sem muita esperança, é claro: afinal, era sobre Minas Gerais. E, se nem um historiador baiano falava de Caetité, muito menos aquela... EPA!

Foi como se um gelo me percorresse a espinha! Em meio a páginas de fotografias, deparei-me com uma - muito, muito antiga - de um tal João Caetano. Não era nada, não: era ninguém menos que o sujeito que, duzentos anos atrás, construíra a casa em que moro! E de quem eu nunca soubera houvesse uma fotografia!

E foi então que passei a descobrir, em muitas obras da História mineira, que Caetité estava lá! Porque, mesmo os caranguejos tavarianos fingindo não saber, o Sertão produziu muita coisa, influiu (e influi) em muitas outras.

Eu, que achava que a ligação com Minas e Caetité vinha do Neves do Tancredo (sim, saiu daqui), ou dos povoadores cultos da cidade, mineiros fugindo na época da Inconfidência, ou mesmo com o prosaico estudo na cidade do esperto (mas não culto) Newton Cardoso, passei a colecionar pérolas, como "Raízes de Minas" do Ribeiro Pires - a falar dessa minha aldeia - ainda ignorada pelos caranguejinhos...

Dividamos a Bahia, ora pois!

A idéia, fracassada quando da Constituinte em 1988 - graças a uma bela campanha feita em Salvador - a terra dos caranguejos - com o singelo slogan "Alto lá! A Bahia ninguém divide" - seria uma das soluções para termos um governo que não ficasse, assim como os caranguejos, voltado somente para a Capital...

A Bahia, gigantesco como Estado, é algo miúdo por conta de seus políticos. Enquanto Minas Gerais tem lá suas 20 Universidades Federais, a Bahia tinha apenas uma. Quando o Lula criou (dizem) a Universidade do São Francisco, o rio que tem sua maior extensão nesse mesmo esquecido sertão, olha só onde foi ficar a sede: em PERNAMBUCO! Que já tinha, sei lá, três ou quatro Federais! O Pernambuco de Lula é uma tripinha, comparado à abandonada Bahia!

Para "compensar" tal desfeita, lá veio o bondoso Lula criar outra Federal na Bahia. Sabem o que ele fez? Criou a Federal onde a UFBA tinha o Campus de Agronomia, e batizou-a com o nome do Recôncavo...

O povo lê Bahia e entende que o estadinho limita-se à baía... de todos os santos e caranguejos!

Por isso, tenho como herói alguém que Salvador matou como bandido: Horácio de Matos. Horácio, nos idos dos anos 20 do século passado, criou o "Governo de Lençóis" e, dali, da cidade incrustada na bela Chapada Diamantina, mandava no Sertão.

Já antes o caetiteense Rodrigues Lima cogitou mudar a Capital para Vitória da Conquista. Chamaram-no, os caranguejos do século XIX, de louco; mas era mesmo por saber que os caranguejinhos morrem de medo de olhar a terra!

Tem esperança?
Ufa! Escrevi demais! Mas tava pensando nessa moça, a Dilma Roussef. A que quer ser nossa primeira Presidenta. Ela é mineira...

Mais: há uma semana (dia 7 de outubro de 2009), no aniversário do "quase" caetiteense e primo distante Haroldo Lima, Dilma em discurso fez uma revelação: declarou-se bisneta de um caetiteano.

Tudo bem que não falou caetiteense... Mas ela tem raízes aqui! Vai que ganhe a eleição? Ao menos, quem sabe, não olhe o sertão com os olhos de peixe morto de um Wagner, ou mesmo dum Magalhães...

Porque Lula, esse que assistiu sua "virada" ocorrer na "caetiteense" Vitória da Conquista, fez nada não.

E, já que não vamos nos emancipar dessa Baía (sem h, que não merece), não nos custa sonhar...