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sábado, 22 de janeiro de 2011

Anísio para Caetité



Disse lá o José Pacheco - educador português que no começo de 2010 visitou Caetité - após constatar que os educadores na própria cidade natal nada tinham a informar sobre o Anísio Teixeira:
Em Caetité, encontrei uma secretaria de educação feita de boa gente e com muita vontade de melhorar. Mas não resisti a perguntar: O que há de Anísio nas escolas de Caetité? Qual o legado de Anísio, que se faça presente nas práticas escolares? Respondeu-me um embaraçado silêncio.

O "mal" não é menor. Infelizmente. Mesmo com o trabalho da Casa Anísio, mesmo tendo lá o Instituto de Educação, ainda assim não raramente escutamos coisas como "o que fez Anísio Teixeira para Caetité?"

Fez - e indiretamente ainda faz - e muito!

Anísio deixou-nos um legado que não para de crescer, e dar frutos.

Para tentar suprir um pouco desta lacuna, empreendemos uma pesquisa, a reunir numa só obra o que viveu e fez por Caetité o seu filho mais ilustre.

Servindo como referência e início na (re)descoberta do Anísio, a ideia é não tornar o nome mais famoso - e sim a pessoa menos desconhecida!
Apesar das nossas limitações, é um projeto ainda no seu início - precisa agora de apoio. Mas precisa, sobretudo, ser efetivado - para que ninguém que nos faça uma visita possa novamente escrever que, em Caetité, Anísio Teixeira sofre uma "segunda morte"...

Fica, aqui, mais um convite para os que se interessarem conhecer este nosso novo livrinho, em seu nascedouro: Anísio para Caetité - o livro

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Coelho na cartola



Parece que virou lugar-comum, ao menos nas revistas que tratam de literatura ou mesmo na internet - menosprezar o trabalho do Paulo Coelho.

Nunca entendi direito a motivação para tal. Lembro-me duma charge em que o rato de sebo mandava um burro ler livros de auto-ajuda, Paulo Coelho e, se um dia lesse Machado de Assis... que voltasse dali a 20 anos...

Paulo Coelho faz sucesso, é membro da Academia Brasileira e, não bastasse o sucesso internacional de ser lido em diversos países, sua obra é considerada "menor"...

O que faltou ao Coelho para merecer cidadania literária? Criatividade? História? Falar de temas cotidianos de modo barroco? Ter nascido no século XIX, talvez...

Ou, quiçá, haver nascido no Brasil da virada do Milênio o torne menor do que realmente é?


Tudo isto porque, há pouco tempo, a França celebrou o sumiço do escritor Antoine de Saint-Exupéry, desaparecido misteriosamente durante a II Guerra Mundial. Autor do livro infanto-confuso "O Pequeno Príncipe" (Le petit prince). Obra-prima lida por todas as misses nos concursos de tempos passados, para aqueles que não se lembram ou não eram nascidos... Pois a França celebrou sua memória, nos 65 anos sem o autor do livreto das misses.

Como se fora um heroi nacional francês, o autor de O Pequeno Príncipe foi (e é) cultuado.

Cá eu comigo penso... Que diabos de literatura é O Pequeno Príncipe para que figure num patamar acima de... Diário de um Mago, por exemplo?

Entre um e outro, a qualidade do autor brasileiro é mil vezes superior; a seu favor conta, ainda, o fato de que foi lido por um presidente dos EUA - o equivalente moderno das antigas misses? Pois que não me consta seja o Paulo Coelho a leitura de misses...

Acho, mesmo com base em algo que escrevera Anísio Teixeira muito tempo atrás, que inda estamos divididos - os intelectuais - entre aqueles que fingem saber e os que falam mal dos que sabem...

Infelizmente para nossa memória, e para o Paulo Coelho, os da segunda espécie são os modernos Paulo Francis - fracassados a deitar o cacete naqueles que conseguiram...