sábado, 5 de dezembro de 2009

Curtas caetiteenses

INAUGURANDO O NATAL

Caetité é a única cidade do mundo que pinta asfalto de preto; agora, já que a máxima "pão e circo" se resume apenas ao "circo", temos a "Inauguração do Natal". Festona! Isso, e aquela festona para inaugurar um mastro na pracinha da Feira, mostra como vamos bem de obras públicas...

*********
MUITA CHUVA

O Governador Jaques Wagner veio a Caetité. Na Praça da Catedral vazia, Wagner discursou. Não falou muita coisa que preste, mas com certeza o mandatário maior do Estado falou duas coisas verdadeiras:

Uma: mandou o povo ao lado dele calar a boca - de fato, falam demais e fazem de menos.

Duas: criticou o povo que pula de partido a cada eleição. Recado para o atual Prefeito, que ninguém sabe de que partido é, ou era, ou será?

*********
MUITA CHUVA 2

Cai um pé d'água em Caetité, e na vizinha Igaporã só uma neblina. Enquanto isso, rios de dinheiro para as viagens diárias de médicos oftalmologistas que, de avião, aterrissam na cidade para operar o povo que tem catarata e votará ano que vem. Daqui a quatro anos, acho, o avanço da medicina voltará ao nosso sertão.

Pra uma cidade governada por um "socialista" com uma "comunista", eu achava que fosse melhor ensinar a pescar do que ficar dando o peixe. Por que não investir esse rio de dinheiro com bolsas de estudo para médicos daqui mesmo se capacitarem? Assim, em vez de esmolas em anos de eleição, teríamos experts permanentemente... Afinal, doença é como a fome: acaba hoje, amanhã tem mais.

Ou será que o clientelismo aéreo dos nossos "socialistas" não é mais "clientelismo"?

*********
MUITA CHUVA 3

Abriu-se um buraco na esquina da avenida com o beco do Supermercado Cruz. Há um ano, xingavam o prefeito; agora, foi coisa da água mesmo...

Sinal dos tempos. Ou de falta de liderança na oposição?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Puta Genoína...


Foi no Senado da República que certa feita ouvimos, da tribuna, um vetusto parlamentar proferir, a um seu colega:
Prostituta pregando castidade.
Não somos dos que acreditam que os prostituídos deixem de pregar castidade; entretanto, Silvio Berlusconi pode enganar a Itália por algum tempo, mas não toda a União todo o tempo... Assim, ao menos, esperamos.

Tampouco somos daqueles que assistem passivamente longos discursos da tribuna da Câmara dos Deputados, como o proferido neste começo de novembro pelo deputado "assessor-com-dólar-na-cueca" José Genoíno.
O companheiro, descaradamente em defesa própria, chegou a acusar a CNBB de nazista! Por propor, junto a um milhão e meio de brasileiros honestos (que, com certeza, não têm assessores, muito menos assessores pilhados com dólares), que candidatos de ficha suja tenham seus registros negados pela Justiça Eleitoral.

***
Genoíno já foi um dos meus ídolos. Quando falava, vejam só, o oposto! Quando, sem ter arrastando nas roupas íntimas a lama que o persegue, pregava a castidade (no caso, a ética na política)...

Fui de um tempo em que admirávamos o líder estudantil José Dirceu que, perseguido pela Ditadura, tinha no seu encalço - lá por volta de 68, aquele ano que não acabou, como constatou o Zuenir - uma espiã do SNI (já era SNI?) chamada - vejam só - Heloísa Helena! Claro que é só uma coincidência de nomes, porque a atual Heloísa Helena, bem mais nova, não foi espiã, foi EXPIADA pelo Zé Dirceu, como todos devem se lembrar.

Zé Dirceu caiu, e caiu porque um velhinho meteu-lhe uma bengala na cabeça; e uma bengalada daquelas que somente tiveram efeito porque foi filmada; e exibida - para bem mais dos um milhão e meio que assinam a justa tentativa moralizadora da CNBB...

Mas, vejam só, Dirceu caiu como deputado; justamente onde fora se esconder - friso bem isso - se esconder da justiça, para não ter de ser processado pelo tal do Mensalão que agora o Berzoini disse ter ouvido falar... (a Dilma, não. Ela também não sabia de nada...)

Nesse diapasão, nada mais genoíno desse genuíno de*puta*do que reclamar da CNBB - a ponto de comparar a entidade com algo como o pérfido nazismo...

***

Não, hoje ninguém parece entrar no respeitável parlamento brasileiro com bengalas. Nem eu, sequer, tinha a minha (eu não tenho bengala, pô!) para simular uma bengalada na cabeça e na cueca do Genoíno pelo monitor da tevê...

A Tribuna, onde esperava eu ouvir propostas contra a criminalidade do Rio que se espalha, espalhando o câncer do crack em nossos meninos e meninas, foi usada pelo José Genoíno, companheiros, para denegrir UM MILHÃO E MEIO DE BRASILEIROS HONESTOS!!!!

Sabem o que me consola?

Que o Genoíno não é mais nada; nem pálida sombra do homem que já foi, até a tal cueca aparecer...

Que seu imenso discurso teve apartes de apoio de gente do DEM, de gente que deve mais ou tanto quanto ele...

Que ninguém acredita nele...

Que ainda falam, lá no Senado, que são mesmo prostituídos falando em castidade...

Mas, parafraseando a companheira Marta, deixo aqui meu quase anônimo protesto:

"Cala a boca, Genoíno!"

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Ui-que-pedia


Ou: Como ter um verbete jogado no lixo

Passei um bom tempo de minha vida editando na versão em português da Wikipedia. Cheguei, a contragosto, a ser "administrador" lá e, também a contragosto, deixei de sê-lo.

Muita gente "mora" na Wikipédia lusófona; alguns têm lá suas brigas, seus desentendimentos, que se arrastam por meses, anos até, sem que haja qualquer solução; porque na qualidade de internautas, gozam da memória extra do computador para não esquecerem jamais (e, consequentemente, nunca perdoarem); há, também, no caso da Wikipédia, uma memória extra - já que todas as edições feitas ficam indeléveis nos históricos de cada página: esse o combustível. Os usuários que não perdoam, são o comburente...

Meu "compromisso" em editar ali era o chamado "domínio principal" - os verbetes propriamente ditos, seu conteúdo. Milhares de edições, consertos, uma luta por levar informações nem sempre fáceis de obter. Uma chance única, por exemplo, de poder falar de figuras que dizem respeito à história da minha cidade, do Estado da Bahia e, enfim, do mundo todo.

Partindo da aldeia pequenina, para a aldeia global.

Tive, até, a felicidade de, no passado, comprovar na prática a importância desse trabalho, quando via alunos do nível secundário e até da universidade, tomando por base coisas que eu havia escrito ou ajudado a escrever, um dia...

Mas, como já falei, as disputas surgidas nunca são abandonadas. Não quero dizer que não as tenha provocado, com o jeito ríspido de "falar" - mas nunca entendi o motivo de alguns usuários simplesmente se antipatizarem perpetuamente...

Saí do projeto, depois de mudar meu "nome" - tinha usado o nome verdadeiro e acabei sendo xingado por irresponsáveis anônimos (claro, escondidos por "nomes" criados para o registro ali).

Como recentemente disseram, volto como "turista". Mas mesmo como turista é difícil continuar... E, infelizmente, como eu dezenas de outros usuários mais assíduos foram embora, quer permanentemente, quer com voltas esporádicas.

Fiz grande amizades na Wikipédia. Um cearense, morador de Londres, por exemplo, chamado "MHV"... Depois, ele saiu do projeto e, numa das voltas últimas, veio para brigar comigo... É estranho isso, pois até agora não vejo o que fiz a ele pra que isso se desse assim. Mas tenho ainda enorme carinho por ele, e todos com quem pude travar esse estranho relacionamento amistoso que a internet nos proporciona...

Há uma página na qual podemos observar o que vem ocorrendo; chamada de "mudanças recentes", retrata tudo o que ultimamente vem se passando. Ali vi, há pouco, que um anônimo havia escrito algo indevido num verbete intitulado "Justiça Especial". Ao ler o conteúdo, porém, vi que o conceito dado era totalmente diverso daquele que o Direito brasileiro determina; apaguei e reescrevi. Mas sei que, daqui a algum tempo, o verbete estará todo "manchado" - cheio de marcações e vandalismos não revertidos.

Porque, com a diminuição dos que efetivamente colaboravam contra os vândalos de conteúdo, as reversões de erros acabam ocultando erros mais antigos, até termos coisas como o Farsa de Inês Pereira, que registra:
Entretanto entram em peça dois “cimenteieros judeus” que também cuidavam de arranjar cimento para +3, e se bem procuraram melhor acharam e Inês se casa com um escudo, de sua graça Bras da Mata

Trazendo frases que um dia foram:
Inês Pereira, moça simples e casadoira mas com grande ambição procura marido que seja astuto, sedutor, “que saiba tanger viola, e eu coma cebola.”

mas que, quando escrevo, estão:
Inês, moça simples e casadoura mas com grande ambição procura marido paniscao que seja astuto, sedutor, “que saiba tanger viola, e eu coma coco.”

Comer coco ou cebola não têm tanta diferença - especialmente para a qualidade dos que preferem brigar entre si do que ver o que se vai no domínio principal (verbetes).

****

Hoje não vejo mais, como antes, as pessoas a consultar a Wikipédia... A começar por minha filha, que ali se servia e agora, simplesmente, torce o nariz quando lhe falo desse projeto...

É que as pessoas não ficam comendo coco, quando compram cebolas. Acho...

Ao propor como destaque o verbete Agricultura no Brasil, acabei ouvindo coisas como "nenhum agrônomo, por exemplo, leria esse artigo e votaria a favor". Nem respondi mais, talvez em consideração ao meu cunhado, ex-diretor da EBDA, e que me deu oportunidade de ilustrar o verbete com várias de suas plantações, autoridade que é em fruticultura, algodão e tantas cositas más...

A verdade na wiki é assim: um sujeito qualquer vai lá, diz que um agrônomo não iria gostar de algo - e o que ele falou é incontestável. Pensei até em convidar o cunhado pra rir comigo do tal comentário, mas ele é muito ocupado pra isso...

Fica-me o consolo, entretanto, de saber que a Wikipédia poderia ter sido uma experiência única de democratizar o conhecimento; foi o que fiz e não me arrependo.

Mas fica, também, a constatação de que num espaço de birras e mediocridades, o resultado final é que estaremos comendo coco no lugar de cebola...